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Eu

Naveguei os mares, Cruzei caminhos, Andei por estradas, Pisei espinhos, Voei planetas, Atravessei florestas, Intercalei vales, Subi montanhas, atrás Corri luares, Passei pelo sol, Viajei pelas estrelas, Caí no pranto, E ao pranto indaguei: Ô meu, Me diz, por favor, Quem sou eu? E a resposta veio: És quem navegou, cruzou, andou, pisou, voou, atravessou, intercalou, subiu, passou, viajou, caiu e amou atrás do seu "Eu" e lhe digo: Só você pode descobrir quem é e dizer EU SEI QUEM SOU. Geraldo Alverga

Essas letras

Quando pensei que estava te perdendo, Recorri ao meu amigo inseparável, De todas as horas e momentos, O meu lápis... Ele por si respondeu, Solto no caderno escreveu, Que eu não me desesperasse, Então registrei no meu amigo verdadeiro, Meu caderno, companheiro, Que sofria sem reclamar, Pela força que nele fazia, Escrevendo tão forte, O ponto de se rasgar. Mas a tinta é minha amiga, Inseparável e legível, Escreve com perfeição um desabafo, Sem falhar, nem borrar. Em riscos mal traçados, Meus números alinheis E os dividendos das ilusões, Transformando-se em paixões, Nas somas e subtrações, A prova dos nove foras, Apaixonadamente multipliquei. Baltazar Filho

Meninos de Rua

Meninos, Menino de rua que vive a vagar, vejo no teu rosto grande desgosto e lágrimas a rolar. Não conheceste teu pai, aquele tal, que junto com Maria; te fez um dia num quanto qualquer. Eu sei, que o motivo é esse, porque tu vives triste, sempre a chorar, e vai cruzando as avenidas, tristes desta vida, que ninguém passou, com os teus passo lentos, com teus olhos fundos, de tanto chorar... Mas, quem sabe um dia, e amante de Maria, tu possas encontrar? Numa das avenidas, tristes desta vida, também a chorar, com os teus passos lentos, com os teus olhos fundos, triste a chorar. Antônio Fernandes

Ecologia

É o verde: a euforia, O canto dos pássaros: a alegria, O despertar das manhãs: um novo dia. Os lagos; um grande rio A leve brisa que traz o frio... Os pinheiros, as seringueiras, As canafístulas e as palmeiras... A árvore mutilada em um canto isolado, Após ter sofrido violências de um machado. A Ecologia é bela, é um mundo encantado São os peixinhos do mar, O tubarão, o dourado... As aves existentes, Os animais em geral, todas as árvores... Enfim, tudo que é vivo é "Ecologia". Amando Anacleto

Caminhos sem rumo

É sempre a mesma história Não muda quase nada Me sinto tão perdido nesta estrada Não tive nem um pouco do gosto da vitória Sempre fui tão inteligente Mas nunca fui tão eficiente Tentei me entender, quero lhe dizer Que a minha é complicada demais Tem horas que faço coisas sem querer Tem horas que preciso ser alguém Tem horas que não me sinto tão sozinho Mas às vezes pode ser que me sinto tão só E é possível que eu precise mesmo ficar só Será que é alguma estrela-guia Quem sabe um pouco de alegria Mas nada vai mudar a realidade Para entender o que para trás ficou E nesta escola da vida Quem se perde sou eu, somente eu

Manhã De Inverno

Manhã de inverno, melancólico Em meu quarto sinto solidão Um sentimento profundo, nostalgia Lembrança de um amor, paixão. Comigo pensava, onde estará ela? Aquela que tanto amei na vida? Pergunto ao tempo, que será dela? Dessa cobertura pra mim tão querida? A distância, o tempo, tudo passou Mas a saudade que tanto faz sofrer Essa não preciso dizer, essa ficou. Enquanto penso continua a chover Meu coração que tanto sofreu e amou Continua a te amar e a te querer. Milton Resende

Falta de Inspiração

Sinto o vazio de tudo Procuro com avidez crescente Algo que me encha o vácuo mudo A obstruir-me a evocação da mente. Recorro a esforço Talvez o coração cheio de amor Ilumine a trilha de uma inspiração Pois só nele existe Ressentimentos de amor. Ah! Agora já posso começar Começo por versos em noite de luar Onde o amor faz papel saliente Falo nos lábios de uma virgem Que ao recordar sinto vertigem Não posso continuar Falta-me a lucidez da mente. Milton de Moura Resende