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Fim do século XX

A obra-prima da ciência, gerou poluição. Petroleiros enegrecendo os mares, Supermáquinas decompondo a canção, Inseticidas envenenando os pulmões. Olhem para os céus! Urubus povoam a terra, Como canibais travam a batalha final, Contra o tempo um minuto fatal, Não restam nada e tudo se encerra. Pela manhã, nenhuma flor jamais sorri. Envenenado o orvalho a desbotou. Para cuidá-la não tem o beija-flor. E sem fazer mal as abelhas vão dormir. É como se fosse a Guernica de Picasso, De Salvador Dali, premonição civil, O último cálculo matemático do compasso, E na história o último míssil que explodiu. Elias dos Santos

Metamoforse

No silêncio nascem as flores Como nasceu a poesia de Cervantes E a Divina Comédia de Dante Representada por seus grandes atores. No casulo, a metamoforse explode E a policrônica voa a borboleta, O beija-flor vem beijar a violeta E um planeta no Universo implode. De repente mil cores pintam o céu E a lua viçosa puxa e véu O vento frio passeia pelo chão. Um vulcão extinto abre a cratera E começa a expulsar toda a matéria E suas larvas entram em erupção. Elias dos Santos

Saudade

Tenho saudades de alguém Que vivia a sonhar, E igualmente a mim, Sabia a natureza contemplar. Tenho saudades de alguém Que tão cedo partiu, Mas que da minha lembrança, Sua imagem nunca saiu. Tenho saudades de alguém Que no papel a riscar, Escreveu palavras bonitas Fez versos a rimar. Tenho saudades de alguém Que lembro com emoção, E que sendo poeta Guardo seu nome no coração. Denise Fonseca

Eu

Naveguei os mares, Cruzei caminhos, Andei por estradas, Pisei espinhos, Voei planetas, Atravessei florestas, Intercalei vales, Subi montanhas, atrás Corri luares, Passei pelo sol, Viajei pelas estrelas, Caí no pranto, E ao pranto indaguei: Ô meu, Me diz, por favor, Quem sou eu? E a resposta veio: És quem navegou, cruzou, andou, pisou, voou, atravessou, intercalou, subiu, passou, viajou, caiu e amou atrás do seu "Eu" e lhe digo: Só você pode descobrir quem é e dizer EU SEI QUEM SOU. Geraldo Alverga

Essas letras

Quando pensei que estava te perdendo, Recorri ao meu amigo inseparável, De todas as horas e momentos, O meu lápis... Ele por si respondeu, Solto no caderno escreveu, Que eu não me desesperasse, Então registrei no meu amigo verdadeiro, Meu caderno, companheiro, Que sofria sem reclamar, Pela força que nele fazia, Escrevendo tão forte, O ponto de se rasgar. Mas a tinta é minha amiga, Inseparável e legível, Escreve com perfeição um desabafo, Sem falhar, nem borrar. Em riscos mal traçados, Meus números alinheis E os dividendos das ilusões, Transformando-se em paixões, Nas somas e subtrações, A prova dos nove foras, Apaixonadamente multipliquei. Baltazar Filho

Meninos de Rua

Meninos, Menino de rua que vive a vagar, vejo no teu rosto grande desgosto e lágrimas a rolar. Não conheceste teu pai, aquele tal, que junto com Maria; te fez um dia num quanto qualquer. Eu sei, que o motivo é esse, porque tu vives triste, sempre a chorar, e vai cruzando as avenidas, tristes desta vida, que ninguém passou, com os teus passo lentos, com teus olhos fundos, de tanto chorar... Mas, quem sabe um dia, e amante de Maria, tu possas encontrar? Numa das avenidas, tristes desta vida, também a chorar, com os teus passos lentos, com os teus olhos fundos, triste a chorar. Antônio Fernandes

Ecologia

É o verde: a euforia, O canto dos pássaros: a alegria, O despertar das manhãs: um novo dia. Os lagos; um grande rio A leve brisa que traz o frio... Os pinheiros, as seringueiras, As canafístulas e as palmeiras... A árvore mutilada em um canto isolado, Após ter sofrido violências de um machado. A Ecologia é bela, é um mundo encantado São os peixinhos do mar, O tubarão, o dourado... As aves existentes, Os animais em geral, todas as árvores... Enfim, tudo que é vivo é "Ecologia". Amando Anacleto