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Dia de Ação de Graças

Graças, mil graças! É tão bom agradecer ao Deus de amor Pelas estrelas no firmamento em seu fulgor, Bordando o céu, depois do ocaso, Desaparecendo ao amanhecer De um novo dia promissor. O despertar com o canto do sabiá, Raios de sol colorindo flores mil, A passarada muito alegre a cantar, Sobrevoando o vasto céu de anil. O orvalho que refresca a noite quente, A chuva mansa caindo sobre a terra, Fazendo brotar toda semente, Enchendo os rios que nascem lá na serra. Os oceanos que guardam mil segredos, Seus habitantes, sua diversidade, Homens valentes, que, vencendo o medo, Os enfrentam na maior facilidade. O ar que respiramos, e o vento Que ajuda o barco em alto mar, Astros que circundam o firmamento, Os frutos que a boa terra nos dá. A energia do nosso corpo, apesar do tempo, Nos ameaça com os males que advêm. A restauração das enfermidades que teimam Trazer-nos sofrimentos, angústias e desdém. Mas sabemos pela imensa graça: Recebemos tudo sem nada mere...

A Arca de Noé

Sete em cores, de repente O arco-íris se desata Na água límpida e contente Do ribeirinho da mata. O sol, ao véu transparente Da chuva de ouro e de prata Resplandece resplendente No céu, no chão, na cascata. E abre-se a porta da Arca De par em par: surgem francas A alegria e as barbas brancas Do prudente patriarca Noé, o inventor da uva E que, por justo e temente Jeová, clementemente Salvou da praga da chuva. Tão verde se alteia a serra Pelas planuras vizinhas Que diz Noé: "Boa terra Para plantar minhas vinhas!" E sai levando a família A ver; enquanto, em bonança Colorida maravilha Brilha o arco da aliança. Ora vai, na porta aberta De repente, vacilante Surge lenta, longa e incerta Uma tromba de elefante. E logo após, no buraco De uma janela, aparece Uma cara de macaco Que espia e desaparece. Enquanto, entre as altas vigas Das janelinhas do sótão Duas girafas amigas De fora as cabeças botam. Grita uma arara, e se escuta De dentro um miado e um zurro Late um cachorro em disputa...

Criança

A mais pura inocência Seu mundo é pequeno Protegida por todos Assim nasce uma criança Cresce com olhares de amor Sofre também quando tem dor Adormece com música de ninar Tem mãe, tem colo para alimentar Traz sempre alegria à família Começa um pequeno ser Se transforma com o tempo Aprende com facilidade Devemos cuidar todo dia Jamais vir a desprezar Todas elas são sementes Nossa missão é cultivar Crianças indefesas que sofrem Falta família, aconchego Nunca pediram para nascer Mas têm os desafios pela frente... Maria de Fátima Lúcia Santana Fonte:   http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/crianca/crianca

Andarilhos, viajantes sem destino

Andar pelas estradas do Brasil sem destino, Essa é a realidade de tantos brasileiros Dormindo em praças, rodoviárias, peregrinos; Passando fome, frio, perigos, sem dinheiro. São invisíveis para os nossos governantes, Perigos nas estradas, chuvas, sol escaldante. Bebidas, devaneios, solidão, companheiras; Os pés calejados, pele castigada, olheiras. Quantas histórias por trás dessas vidas, São seres humanos, como você e eu. Ignorá-los, temê-los, pessoas tão sofridas. Amigos, emprego, família, tudo se perdeu. Alguns levam consigo a esperança, Um dia a sua vida ainda vai melhorar, Enquanto isso com garra e confiança, Pelas estradas continuam a caminhar. Seguem sobrevivendo nos caminhos da vida, Aceitam passivos os seus destinos cruéis; Recebendo doações, roupas e comida, Seguem desempenhando seus papéis. Rosalina Lopes Pires Fialho

Joana D'arc

Firme na sela do ginete arfante, Da corte na vanguarda, ei-la às hostis Trincheiras que galopa, delirante, Fronte serena e coração feliz. Sob os anéis metálicos do guante, Os dedos adivinham-se viris, Que sustêm o estandarte palpitante, Onde esplende a dourada flor-de-lis. Rica de sonhos, crença e mocidade, A donzela de Orléans, no seu tresvário, De mística, na indômita carreira Sorri. Nenhum tremor a alma lhe invade! E, entanto, o olhar audaz e visionário Já tem clarões sinistros de fogueira!… Cecília Meireles (do livro “Espectros”, 1919)

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia... A vida assim, jamais cansa... Viver tão só de momentos Como estas nuvens no céu... E só ganhar, toda a vida, Inexperiência... esperança... E a rosa louca dos ventos Presa à copa do chapéu. Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar. Nada jamais continua, Tudo vai recomeçar! E sem nenhuma lembrança Das outras vezes perdidas, Atiro a rosa do sonho Nas tuas mãos distraídas... Mário Quintana

Li um dia, não sei onde

Li um dia, não sei onde, Que em todos os namorados Uns amam muito, e os outros Contentam-se em ser amados. Fico a cismar pensativa Neste mistério encantado... Diga prá mim: de nós dois Quem ama e quem é amado?... Florbela Espanca