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Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura  O amor como um patético tormento  Pensar nele é morrer de desventura  Não pensar é matar meu pensamento.  Seu mais doce desejo se amargura  Todo o instante perdido é um sofrimento  Cada beijo lembrado é uma tortura  Um ciúme do próprio ciumento.  E vivemos partindo, ela de mim  E eu dela, enquanto breves vão-se os anos  Para a grande partida que há no fim  De toda a vida e todo o amor humanos:  Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo  Que se um fica o outro parte a redimi-lo.  Vinícius de Moraes

O sentido do Natal

É Natal, as lojas se enfeitam As pessoas se ajeitam Tudo para comemorar O Natal que está para chegar. É pisca-pisca e sino Cantigas de Natal, bonito hino Papai noel, sonho de toda criança O Natal nos traz esperança. 25 de dezembro e nem todos podem ganhar presentes. Milhares de famílias sofrem com seus filhos ausentes. O nascimento de Jesus devemos celebrar E mostrar ao mundo que o importante é amar. Irlanda Benevides de Souza Fonte: http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/natal/o-sentido-do-natal

Algemas

Há muito tempo atrás Um poeta desapareceu Com uma poesia realista Do mundo em que viveu Viveu na Itália E nas duas Alemanhas Foi um eremita Escrever nas montanhas Ao voltar ao seu país Sofrem forte agressão Arrancaram-lhe os dentes Cortaram-lhe a mão Mas o poeta não parou Não parou de falar E a vida em que viveu Continuou a empregar Resolveram matá-lo Mas o poeta não fugiu E depois de pensar Voltou para o Brasil. Desta vez o acertaram E o poeta ficou mudo, Mas não parou de empregar A vida real deste mundo Sem dentes, com uma mão só Surdo e mudo ao mesmo tempo Que ao mundo abalou: Você matam o sonho, Mas não matam o sonhador. Geraldo Alverga

Dia de Ação de Graças

Graças, mil graças! É tão bom agradecer ao Deus de amor Pelas estrelas no firmamento em seu fulgor, Bordando o céu, depois do ocaso, Desaparecendo ao amanhecer De um novo dia promissor. O despertar com o canto do sabiá, Raios de sol colorindo flores mil, A passarada muito alegre a cantar, Sobrevoando o vasto céu de anil. O orvalho que refresca a noite quente, A chuva mansa caindo sobre a terra, Fazendo brotar toda semente, Enchendo os rios que nascem lá na serra. Os oceanos que guardam mil segredos, Seus habitantes, sua diversidade, Homens valentes, que, vencendo o medo, Os enfrentam na maior facilidade. O ar que respiramos, e o vento Que ajuda o barco em alto mar, Astros que circundam o firmamento, Os frutos que a boa terra nos dá. A energia do nosso corpo, apesar do tempo, Nos ameaça com os males que advêm. A restauração das enfermidades que teimam Trazer-nos sofrimentos, angústias e desdém. Mas sabemos pela imensa graça: Recebemos tudo sem nada mere...

A Arca de Noé

Sete em cores, de repente O arco-íris se desata Na água límpida e contente Do ribeirinho da mata. O sol, ao véu transparente Da chuva de ouro e de prata Resplandece resplendente No céu, no chão, na cascata. E abre-se a porta da Arca De par em par: surgem francas A alegria e as barbas brancas Do prudente patriarca Noé, o inventor da uva E que, por justo e temente Jeová, clementemente Salvou da praga da chuva. Tão verde se alteia a serra Pelas planuras vizinhas Que diz Noé: "Boa terra Para plantar minhas vinhas!" E sai levando a família A ver; enquanto, em bonança Colorida maravilha Brilha o arco da aliança. Ora vai, na porta aberta De repente, vacilante Surge lenta, longa e incerta Uma tromba de elefante. E logo após, no buraco De uma janela, aparece Uma cara de macaco Que espia e desaparece. Enquanto, entre as altas vigas Das janelinhas do sótão Duas girafas amigas De fora as cabeças botam. Grita uma arara, e se escuta De dentro um miado e um zurro Late um cachorro em disputa...

Criança

A mais pura inocência Seu mundo é pequeno Protegida por todos Assim nasce uma criança Cresce com olhares de amor Sofre também quando tem dor Adormece com música de ninar Tem mãe, tem colo para alimentar Traz sempre alegria à família Começa um pequeno ser Se transforma com o tempo Aprende com facilidade Devemos cuidar todo dia Jamais vir a desprezar Todas elas são sementes Nossa missão é cultivar Crianças indefesas que sofrem Falta família, aconchego Nunca pediram para nascer Mas têm os desafios pela frente... Maria de Fátima Lúcia Santana Fonte:   http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/crianca/crianca

Andarilhos, viajantes sem destino

Andar pelas estradas do Brasil sem destino, Essa é a realidade de tantos brasileiros Dormindo em praças, rodoviárias, peregrinos; Passando fome, frio, perigos, sem dinheiro. São invisíveis para os nossos governantes, Perigos nas estradas, chuvas, sol escaldante. Bebidas, devaneios, solidão, companheiras; Os pés calejados, pele castigada, olheiras. Quantas histórias por trás dessas vidas, São seres humanos, como você e eu. Ignorá-los, temê-los, pessoas tão sofridas. Amigos, emprego, família, tudo se perdeu. Alguns levam consigo a esperança, Um dia a sua vida ainda vai melhorar, Enquanto isso com garra e confiança, Pelas estradas continuam a caminhar. Seguem sobrevivendo nos caminhos da vida, Aceitam passivos os seus destinos cruéis; Recebendo doações, roupas e comida, Seguem desempenhando seus papéis. Rosalina Lopes Pires Fialho