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Chegou a Primavera

Hoje é um dia importante. Chegou a Primavera, a prima das flores... E todas se vestiram de novo para a receber. E ela ficou tão contente! Sorriu para as aves e encheu-se de flores. Sorriu para os campos  e encheu-se de verde. Sorriu para os meninos e encheu-se de alegria. E os meninos  vestiram-se de malmequer, voaram com as borboletas, cantaram com os rouxinóis e, juntos, de mãos dadas levaram a Primavera a todas as coisas. Raquel Delgado

Foi-se a Copa?

Foi-se a Copa? Não faz mal.  Adeus chutes e sistemas.  A gente pode, afinal,  cuidar de nossos problemas. Faltou inflação de pontos?  Perdura a inflação de fato.  Deixaremos de ser tontos  se chutarmos no alvo exato. O povo, noutro torneio,  havendo tenacidade,  ganhará, rijo, e de cheio,  A Copa da Liberdade. Carlos Drummond de Andrade

Mães

Aquela que ama,  que cuida,  que passa horas acordada  só pra te ver dormir...  Muitas vezes falam por gestos,  e com carinhos,  A que compra um doce  só pra lhe ver sorrir  A única em que pode confiar  e a única que te ama  De verdade...  Domina suas vontades e luta  por seus direitos,  Sacrifica-se Mãe,  Teu colo nos afaga  e nos tira a tristeza,  teu colo,  que nos aquece  tem um único nome  Mãe... Ana Karolina

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,  não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo,  e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão,  se havia gente dormindo  sobre o própro coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando áqueles  que não se levantarão... Tu és a folha de outono  voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. Certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão... Cecília Meireles

Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura  O amor como um patético tormento  Pensar nele é morrer de desventura  Não pensar é matar meu pensamento.  Seu mais doce desejo se amargura  Todo o instante perdido é um sofrimento  Cada beijo lembrado é uma tortura  Um ciúme do próprio ciumento.  E vivemos partindo, ela de mim  E eu dela, enquanto breves vão-se os anos  Para a grande partida que há no fim  De toda a vida e todo o amor humanos:  Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo  Que se um fica o outro parte a redimi-lo.  Vinícius de Moraes

O sentido do Natal

É Natal, as lojas se enfeitam As pessoas se ajeitam Tudo para comemorar O Natal que está para chegar. É pisca-pisca e sino Cantigas de Natal, bonito hino Papai noel, sonho de toda criança O Natal nos traz esperança. 25 de dezembro e nem todos podem ganhar presentes. Milhares de famílias sofrem com seus filhos ausentes. O nascimento de Jesus devemos celebrar E mostrar ao mundo que o importante é amar. Irlanda Benevides de Souza Fonte: http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/natal/o-sentido-do-natal

Algemas

Há muito tempo atrás Um poeta desapareceu Com uma poesia realista Do mundo em que viveu Viveu na Itália E nas duas Alemanhas Foi um eremita Escrever nas montanhas Ao voltar ao seu país Sofrem forte agressão Arrancaram-lhe os dentes Cortaram-lhe a mão Mas o poeta não parou Não parou de falar E a vida em que viveu Continuou a empregar Resolveram matá-lo Mas o poeta não fugiu E depois de pensar Voltou para o Brasil. Desta vez o acertaram E o poeta ficou mudo, Mas não parou de empregar A vida real deste mundo Sem dentes, com uma mão só Surdo e mudo ao mesmo tempo Que ao mundo abalou: Você matam o sonho, Mas não matam o sonhador. Geraldo Alverga