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A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias, espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar este tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. Crimes da terra, como perdoá-los? Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de er...

Quero Ter Um Sonho Alegre

Quero ter um sonho alegre Um sonho magnífico Com pássaros nos campos voando E o sol no alto sorrindo. Quero ter um sonho alegre Num mundo muito encantado Que eu tenha muitas fantasias E crianças brincando do meu lado. Quero ter um sonho alegre Com paz e felicidades a mil Onde a palavra guerra Lá nunca se ouviu. Quero ter um sonho alegre Como se no mundo fosse a realidade E as pessoas unidas, felizes E que dure toda a eternidade. Francilene Lucena Melo

Para Sempre

Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.  Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. Carlos Drummond de Andrade Fonte:  http://pensador.uol.com.br/poesias_de_carlos_drummond_de_andrade/

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado  Tantas retaliações, tanto perigo  Eis que ressurge noutro o velho amigo  Nunca perdido, sempre reencontrado. É bom sentá-lo novamente ao lado  Com olhos que contêm o olhar antigo  Sempre comigo um pouco atribulado  E como sempre singular comigo. Um bicho igual a mim, simples e humano  Sabendo se mover e comover  E a disfarçar com o meu próprio engano. O amigo: um ser que a vida não explica Que só se vai ao ver outro nascer E o espelho de minha alma multiplica... Vinícius de Moraes

Chegou a Primavera

Hoje é um dia importante. Chegou a Primavera, a prima das flores... E todas se vestiram de novo para a receber. E ela ficou tão contente! Sorriu para as aves e encheu-se de flores. Sorriu para os campos  e encheu-se de verde. Sorriu para os meninos e encheu-se de alegria. E os meninos  vestiram-se de malmequer, voaram com as borboletas, cantaram com os rouxinóis e, juntos, de mãos dadas levaram a Primavera a todas as coisas. Raquel Delgado

Foi-se a Copa?

Foi-se a Copa? Não faz mal.  Adeus chutes e sistemas.  A gente pode, afinal,  cuidar de nossos problemas. Faltou inflação de pontos?  Perdura a inflação de fato.  Deixaremos de ser tontos  se chutarmos no alvo exato. O povo, noutro torneio,  havendo tenacidade,  ganhará, rijo, e de cheio,  A Copa da Liberdade. Carlos Drummond de Andrade

Mães

Aquela que ama,  que cuida,  que passa horas acordada  só pra te ver dormir...  Muitas vezes falam por gestos,  e com carinhos,  A que compra um doce  só pra lhe ver sorrir  A única em que pode confiar  e a única que te ama  De verdade...  Domina suas vontades e luta  por seus direitos,  Sacrifica-se Mãe,  Teu colo nos afaga  e nos tira a tristeza,  teu colo,  que nos aquece  tem um único nome  Mãe... Ana Karolina