terça-feira, 23 de junho de 2015

A minha mãe

Aquela tão formosa flor
Que o meu pai veio encantar,
Hoje está com traços marcados
Na luta de sempre doar.

Cansada, abatida e com cabelos brancos
Ainda vive a encantar
Com os seus gestos de amor e carinho
Que me faz ainda mais admirar.

Mamãe, se eu pudesse hoje
Não a veria a trabalhar
Colocaria numa vitrine
Só para lhe apreciar.

Gilvanete F. Lima

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Mãe de Amor

Mãe forte
Me protege 
Das maldades desta vida 
Da vontade sem medida 
E me afaste do herege 
Mãe negra 
Me amamente 
Com sua doçura bendita 
E nesta infância infinita 
A minha alma alimente 
Mãe santa 
Me abençoe 
Em meus atos e palavras 
Dê fartura à minha lavra 
E que da fé eu não destoe 
Mãe sábia 
Me ensina 
A caminhar com retitude 
Que eu alcance a plenitude 
Do saber e disciplina 
Mãe minha 
Me abrace 
Pra que eu possa adormecer 
E em seus braços permanecer 
Até que um dia o medo passe.

Antonio Sérgio Néspoli

Fonte: http://www.mensagenscomamor.com/poemas-e-poesias/poemas_maes.htm#ixzz3ZYfxiatX

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ode à mentira

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças, 
como sereis cruéis, como sereis injustas? 
Quem torturais, quem perseguis, 
quem esmagais vilmente em ferros que inventais, 
apenas sendo vosso gemeria as dores 
que ansiosamente ao vosso medo lembram 
e ao vosso coração cardíaco constrangem. 
Quem de vós morre, quem de por vós a vida 
lhe vai sendo sugada a cada canto 
dos gestos e palavras, nas esquinas 
das ruas e dos montes e dos mares 
da terra que marcais, matriculais, comprais, 
vendeis, hipotecais, regais a sangue, 
esses e os outros, que, de olhar à escuta 
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos, 
vos contemplam como coisas óbvias, 
fatais a vós que não a quem matais, 
esses e os outros todos... - como sereis cruéis, 
como sereis injustas, como sereis tão falsas? 
Ferocidade, falsidade, injúria 
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso 
o coração que apavorado em vós soluça 
a raiva ansiosa de esmagar as pedras 
dessa encosta abrupta que desceis. 
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo. 
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos? 
Descereis, descereis sempre, descereis. 


Jorge de Sena

Fonte: http://www.citador.pt/poemas/ode-a-mentira-jorge-de-sena

quinta-feira, 5 de março de 2015

Certas Palavras

Certas palavras não podem ser ditas 
em qualquer lugar e hora qualquer. 
Estritamente reservadas 
para companheiros de confiança, 
devem ser sacralmente pronunciadas 
em tom muito especial 
lá onde a polícia dos adultos 
não adivinha nem alcança. 

Entretanto são palavras simples: 
definem 
partes do corpo, movimentos, actos 
do viver que só os grandes se permitem 
e a nós é defendido por sentença 
dos séculos. 

E tudo é proibido. Então, falamos. 


Carlos Drummond de Andrade

Fonte: http://www.citador.pt/poemas/certas-palavras-carlos-drummond-de-andrade

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O som da alma

Era uma vez um som
O som de uma melodia
Melodia que toca fundo na alma
Alma minha abalada pela solidão
Solidão do meu quarto
É no meu quarto que escuto o som
O som sutil de um instrumento
Instrumento delicado e belo
Tão belo como o de uma voz
A voz que corre no vento.

O vento que ecoa no ar
O ar que lhe permite respirar
Respirar e dedilhar com perfeição
A perfeição de soprar uma flauta
A flauta mágica que me emociona
Emociona de tal maneira que correm lágrimas
Lágrimas que mexem com meu coração
Um coração que acredita no amor
Um amor que ficou perdido
Perdido como uma pétala no vento.


O que Ritchie, Andrea Bocelli e Carlos Vereza têm em comum? Além de eu ser fã dos três, ambos tocam flauta transversa (e poucos sabem disso)! Os dois são cantores famosos e o outro é mais famoso como ator de teatro, filmes e novelas. E por que escrevi uma poesia sobre este instrumento tão belíssimo que toca na alma? Talvez porque é o instrumento que mais se parece com a voz humana. Ritchie tem uma levada que lembra Ian Anderson, mas também há momentos sutis no seu instrumento. Me emocionei quando ouvi pela primeira vez Tudo que eu quero (Tranquilo), a última faixa do famoso disco Vôo de Coração, pois além da música escrita por ele, ainda nos presenteou com um belo solo de flauta. Andrea Bocelli já tem uma influência mais clássica, mas não deixa de ser cativante. São raros os momentos em vídeo, mas antes da música Mascagni, ele aparece tocando flauta no DVD Tuscan Skies, que aliás recomendo para quem gosta do trabalho dele. Mas enquanto eu escrevia estas palavras, lembrava de como o Carlos Vereza dominava o instrumento com tanta delicadeza, precisa e emocionante ao mesmo tempo desde quando eu o via tocando pela primeira vez na TV, há mais de 20 anos. Tudo bem que Altamiro Carrilho foi quem o elevou a este nível, mas até hoje meu querido mestre continua me surpreendendo, tanto que em alguns momentos, correm até lágrimas nos meus olhos, da mesma forma quando ele desempenha um personagem incrível como foi o caso do Senador Caxias em o Rei do Gado (atualmente reprisada pela Globo), por exemplo. A intensidade em que ele atua é a mesma quando ele toca a flauta, é tudo o que eu posso dizer. Quem quiser tirar suas próprias conclusões procurem os vídeos do Youtube ou vejam algumas das entrevistas do Programa do Jô e descubram estes raros momentos de pura beleza.