quinta-feira, 5 de março de 2015

Certas Palavras

Certas palavras não podem ser ditas 
em qualquer lugar e hora qualquer. 
Estritamente reservadas 
para companheiros de confiança, 
devem ser sacralmente pronunciadas 
em tom muito especial 
lá onde a polícia dos adultos 
não adivinha nem alcança. 

Entretanto são palavras simples: 
definem 
partes do corpo, movimentos, actos 
do viver que só os grandes se permitem 
e a nós é defendido por sentença 
dos séculos. 

E tudo é proibido. Então, falamos. 


Carlos Drummond de Andrade

Fonte: http://www.citador.pt/poemas/certas-palavras-carlos-drummond-de-andrade

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O som da alma

Era uma vez um som
O som de uma melodia
Melodia que toca fundo na alma
Alma minha abalada pela solidão
Solidão do meu quarto
É no meu quarto que escuto o som
O som sutil de um instrumento
Instrumento delicado e belo
Tão belo como o de uma voz
A voz que corre no vento.

O vento que ecoa no ar
O ar que lhe permite respirar
Respirar e dedilhar com perfeição
A perfeição de soprar uma flauta
A flauta mágica que me emociona
Emociona de tal maneira que correm lágrimas
Lágrimas que mexem com meu coração
Um coração que acredita no amor
Um amor que ficou perdido
Perdido como uma pétala no vento.


O que Ritchie, Andrea Bocelli e Carlos Vereza têm em comum? Além de eu ser fã dos três, ambos tocam flauta transversa (e poucos sabem disso)! Os dois são cantores famosos e o outro é mais famoso como ator de teatro, filmes e novelas. E por que escrevi uma poesia sobre este instrumento tão belíssimo que toca na alma? Talvez porque é o instrumento que mais se parece com a voz humana. Ritchie tem uma levada que lembra Ian Anderson, mas também há momentos sutis no seu instrumento. Me emocionei quando ouvi pela primeira vez Tudo que eu quero (Tranquilo), a última faixa do famoso disco Vôo de Coração, pois além da música escrita por ele, ainda nos presenteou com um belo solo de flauta. Andrea Bocelli já tem uma influência mais clássica, mas não deixa de ser cativante. São raros os momentos em vídeo, mas antes da música Mascagni, ele aparece tocando flauta no DVD Tuscan Skies, que aliás recomendo para quem gosta do trabalho dele. Mas enquanto eu escrevia estas palavras, lembrava de como o Carlos Vereza dominava o instrumento com tanta delicadeza, precisa e emocionante ao mesmo tempo desde quando eu o via tocando pela primeira vez na TV, há mais de 20 anos. Tudo bem que Altamiro Carrilho foi quem o elevou a este nível, mas até hoje meu querido mestre continua me surpreendendo, tanto que em alguns momentos, correm até lágrimas nos meus olhos, da mesma forma quando ele desempenha um personagem incrível como foi o caso do Senador Caxias em o Rei do Gado (atualmente reprisada pela Globo), por exemplo. A intensidade em que ele atua é a mesma quando ele toca a flauta, é tudo o que eu posso dizer. Quem quiser tirar suas próprias conclusões procurem os vídeos do Youtube ou vejam algumas das entrevistas do Programa do Jô e descubram estes raros momentos de pura beleza.






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Soneto de Quarta-Feira de Cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura 
Em tão doce surpresa conquistada 
Por seres uma branca criatura 
De uma brancura de manhã raiada 

Por seres de uma rara formosura 
Malgrado a vida dura e atormentada 
Por seres mais que a simples aventura 
E menos que a constante namorada 

Porque te vi nascer de mim sozinha 
Como a noturna flor desabrochada 
A uma fala de amor, talvez perjura 

Por não te possuir, tendo-te minha 
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada 
Hei de lembrar-te sempre com ternura.

Vinícius de Moraes

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/soneto-de-quarta-feira-de-cinzas

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Carnaval Alto Astral

O carnaval tropical 
é o mais bonito do mundo inteiro,
é de uma animação sem igual,
que só tem no carnaval brasileiro.

No salão, dança o alegre folião,
exibindo sua colorida fantasia,
cantando com empolgação.
É contagiante a sua alegria. 

Na avenida desfila a maravilhosa escola de samba 
com seus criativos carros alegóricos. 
É samba no pé, não tem perna bamba.
O samba enredo deixa os carnavalescos eufóricos.

O toque da bateria 
bate em sintonia com o coração: 
é energia, é alegria, é magia , que contagia... 
É fantástica festa de verão.

Alyne Roberta de Neves Costa 

Fonte: http://www.carnaxe.com.br/cronicas/carnavalaltoastral.htm

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O que houve entre nós?

Tudo parecia perfeito
Tivemos o nosso momento
Acreditei que podia dar certo
Parecíamos um belo casal
Mas terminou de um jeito banal
O que houve entre nós?

Talvez a culpa foi minha
Poderia ter te dado mais companhia
Deveria ter me entregado
A você de corpo inteiro
Não consegui, mas tentei
Juro que me esforcei
Mas nós temos nossos defeitos
E o que houve entre nós?

Você também foi culpado
Decidiu ir embora sozinho
E continuo no meu sobrado
Onde escolhi levar a minha vida
Longe daqui eu não seria a mesma
Mas você não quis me entender
O que houve entre nós?

Saíamos juntos
Divertíamos juntos
Reuníamos juntos
Rimos juntos
Rezávamos juntos
Brincávamos juntos
E mesmo assim me pergunto
O que houve entre nós?

Por que tudo deu errado?
Eu agora te respondo:
“Quanto mais distantes estamos
Mais deixamos de ficar lado a lado
E deixamos de serem namorados
A distância nos fez separar
Mas a amizade jamais se acabará
O que houve entre nós foi tão somente
A ausência de viver um grande amor.”