quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ser Pai

Ser pai 
É acima de tudo, não esperar recompensas 
Mas ficar feliz caso e quando cheguem 
É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão 
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância 
Com os próprios erros 

Ser pai 
É aprender errando, a hora de falar e de calar 
É contentar-se em ser reserva, coadjuvante 
Deixado para depois, mas jamais falar no momento preciso 
É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte 
É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho 
Fazendo-se forte em nome dele e de tudo 
O que terá de viver para compreender e enfrentar 

Ser pai 
É aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez 
É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo 
Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem 
Pelos sofrimentos necessários 
Buscando protegê-los sem que percebam 
Para que consigam descobrir os próprios caminhos 

Ser pai 
É saber e calar. 
Fazer e guardar. 
Dizer e não insistir 
Falar e dizer. 
Dosar e controlar-se. 
Dirigir sem demonstrar 
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia 
Jamais transferindo aos filhos o que a alma lhe corrói 
É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição 
O seu lado fraco, desvalido e órfão 

Ser pai 
É aprender a ser ultrapassado mesmo lutando para se renovar 
É compreender sem demonstrar e esperar o tempo de colher 
Ainda que não seja em vida 

Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão 
Mas ir às lágrimas quando chegam 

Ser pai 
É saber ir-se apagando à medida em que mais nítido 
Se faz na personalidade do filho 
Sempre como influência, jamais como imposição 
É saber ser herói na infância, exemplo na juventude 
E amizade na idade adulta do filho 
É saber brincar e zangar-se. 
É formar sem modelar, ajudar sem cobrar 
Ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber 

Ser pai 
É saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja 
Projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão 
E apesar de tudo, responder com capacidade de prosseguir sem ofender 
De insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte 
Mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação 

Ser pai 
É atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio 
O máximo de convivência no máximo de solidão 
É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho 
A quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver 
É quem se anula na obra que realizou e sorri 
Por tudo haver feito para deixar de ser importante.
Fonte: http://www.mensagenscomamor.com/poesias_dia_dos_pais.htm#ixzz3ANWHypM6

Dedicada ao Dia dos Pais, porém excepcionalmente hoje em especial em homenagem ao pai exemplar de 5 filhos, que infelizmente perdeu a vida num acidente aéreo no último dia 13 de agosto: o ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência Eduardo Campos. Deixo com vocês um vídeo dos filhos homenageando o aniversariante em pleno feriado do último domingo: 


terça-feira, 8 de julho de 2014

Foi-se a Copa?

Foi-se a Copa? Não faz mal. 
Adeus chutes e sistemas. 
A gente pode, afinal, 
cuidar de nossos problemas.
Faltou inflação de pontos? 
Perdura a inflação de fato. 
Deixaremos de ser tontos 
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio, 
havendo tenacidade, 
ganhará, rijo, e de cheio, 
A Copa da Liberdade.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 11 de maio de 2014

Mães


Aquela que ama, 
que cuida, 
que passa horas acordada 
só pra te ver dormir... 
Muitas vezes falam por gestos, 
e com carinhos, 
A que compra um doce 
só pra lhe ver sorrir 
A única em que pode confiar 
e a única que te ama 
De verdade... 
Domina suas vontades e luta 
por seus direitos, 
Sacrifica-se Mãe, 
Teu colo nos afaga 
e nos tira a tristeza, 
teu colo, que nos aquece 
tem um único nome 
Mãe...

Ana Karolina

sábado, 5 de abril de 2014

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura 
O amor como um patético tormento 
Pensar nele é morrer de desventura 
Não pensar é matar meu pensamento. 

Seu mais doce desejo se amargura 
Todo o instante perdido é um sofrimento 
Cada beijo lembrado é uma tortura 
Um ciúme do próprio ciumento. 

E vivemos partindo, ela de mim 
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos 
Para a grande partida que há no fim 

De toda a vida e todo o amor humanos: 
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo 
Que se um fica o outro parte a redimi-lo. 


Vinícius de Moraes

domingo, 22 de dezembro de 2013

O sentido do Natal

É Natal, as lojas se enfeitam
As pessoas se ajeitam
Tudo para comemorar
O Natal que está para chegar.
É pisca-pisca e sino
Cantigas de Natal, bonito hino
Papai noel, sonho de toda criança
O Natal nos traz esperança.
25 de dezembro e nem todos podem
ganhar presentes.
Milhares de famílias sofrem com seus
filhos ausentes.
O nascimento de Jesus devemos celebrar
E mostrar ao mundo que o importante é amar.
Irlanda Benevides de Souza

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Algemas

Há muito tempo atrás
Um poeta desapareceu
Com uma poesia realista
Do mundo em que viveu
Viveu na Itália
E nas duas Alemanhas
Foi um eremita
Escrever nas montanhas
Ao voltar ao seu país
Sofrem forte agressão
Arrancaram-lhe os dentes
Cortaram-lhe a mão
Mas o poeta não parou
Não parou de falar
E a vida em que viveu
Continuou a empregar
Resolveram matá-lo
Mas o poeta não fugiu
E depois de pensar
Voltou para o Brasil.
Desta vez o acertaram
E o poeta ficou mudo,
Mas não parou de empregar
A vida real deste mundo
Sem dentes, com uma mão só
Surdo e mudo ao mesmo tempo
Que ao mundo abalou:
Você matam o sonho,
Mas não matam o sonhador.

Geraldo Alverga