quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Epidemia da violência


Menores infratores roubando por dinheiro
Serial killers matando sem motivo
Homens possessivos agredindo mulheres
Sempre incentivados por coisas fúteis
Acreditam que podem fazer o que quiseres
É a dor que machuca um país inteiro
É a dura realidade que parece castigo
Uma ferida difícil de cicatrizar
Por que é tão difícil encontrar uma solução?
Nem a polícia ou a justiça chegam a uma conclusão
A insegurança toma conta da sociedade
Então, perdidos vamos estar
Já que a violência contaminou a cidade
Como uma epidemia que se espalhou numa nação.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Morte Não É Nada

A morte não é nada. 
Eu somente passei 
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, 
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome 
que vocês sempre me deram, 
falem comigo 
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo 
no mundo das criaturas, 
eu estou vivendo 
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene 
ou triste, continuem a rir 
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi, 
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo 
o que ela sempre significou, 
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora 
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora 
de suas vistas?

Eu não estou longe, 
apenas estou 
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

Santo Agostinho

Dedico essa poesia ao cantor e compositor Mango, que faleceu na noite do último domingo (07/12/14), vítima de um ataque cardíaco aos 60 anos. Eu adorava ouvir as músicas dele, que tinha uma sensibilidade musical apurada e uma voz belíssima. Deixo com vocês o álbum Disincanto (2002) inteiro disponibilizado no Youtube, um dos mais bonitos trabalhos de sua carreira.






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade

O vídeo abaixo traz o grande ator Carlos Vereza, fã assumido de Drummond, enriquecendo ainda mais a beleza desta poesia. Isso é só uma pequena amostra da capacidade que ele tem de transmitir sentimentos através das palavras do grande poeta. Por isso que sou cada vez mais fã deste que é um dos melhores atores que já vi, tanto na TV como no cinema. A interpretação foi tão emocionante que fiz questão de postá-la no meu blog.


Carlos Vereza recita Drummond - A Flor e a Náusea from Glauco Fox on Vimeo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Quero Ter Um Sonho Alegre

Quero ter um sonho alegre
Um sonho magnífico
Com pássaros nos campos voando
E o sol no alto sorrindo.

Quero ter um sonho alegre
Num mundo muito encantado
Que eu tenha muitas fantasias
E crianças brincando do meu lado.

Quero ter um sonho alegre
Com paz e felicidades a mil
Onde a palavra guerra
Lá nunca se ouviu.

Quero ter um sonho alegre
Como se no mundo fosse a realidade
E as pessoas unidas, felizes
E que dure toda a eternidade.

Francilene Lucena Melo

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: http://pensador.uol.com.br/poesias_de_carlos_drummond_de_andrade/